domingo, 17 de julho de 2016

Poetas


Ai as almas dos poetas
Não as entende ninguém;
São almas de violetas
Que são poetas também.

Andam perdidas na vida,
Como as estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!

Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas

E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma pra sentir
A dos poetas também!


Florbela Espanca

Há palavras que nos beijam


Há palavras que nos beijam 
Como se tivessem boca. 
Palavras de amor, de esperança, 
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas 
Quando a noite perde o rosto; 
Palavras que se recusam 
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas 
Entre palavras sem cor, 
Esperadas inesperadas 
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama 
Letra a letra revelado 
No mármore distraído 
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam 
Aonde a noite é mais forte, 
Ao silêncio dos amantes 
Abraçados contra a morte.


Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca'

sábado, 16 de julho de 2016

Esperança



Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

Mário Quintana

Felicidade


Pela flor pelo vento pelo fogo 
Pela estrela da noite tão límpida e serena 
Pelo nácar do tempo pelo cipreste agudo 
Pelo amor sem ironia — por tudo 
Que atentamente esperamos 
Reconheci tua presença incerta 
Tua presença fantástica e liberta


SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Alegria



Já ouço gritos ao longe 
Já diz a voz do amor 
A alegria do corpo 
O esquecimento da dor

Já os ventos recolheram 
Já o verão se nos oferece 
Quantos frutos quantas fontes 
Mais o sol que nos aquece

Já colho jasmins e nardos 
Já tenho colares de rosas 
E danço no meio da estrada 
As danças prodigiosas

Já os sorrisos se dão 
Já se dão as voltas todas 
Ó certeza das certezas 
Ó alegria das bodas

José Saramago

Deito-me ao comprido na erva


Deito-me ao comprido na erva.
E esqueço do quanto me ensinaram.
O que me ensinaram nunca me deu mais calor nem mais frio,
O que me disseram que havia nunca me alterou a forma de uma coisa.
O que me aprenderam a ver nunca tocou nos meus olhos.

O que me apontaram nunca estava ali: estava ali só o que ali estava.

Alberto Caeiro

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Tu eras uma pequena folha



Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.

Pablo Neruda

Quase nada



O amor 
é uma ave a tremer 
nas mãos de uma criança. 
Serve-se de palavras 
por ignorar 
que as manhãs mais limpas 
não têm voz.

Eugénio de Andrade



quinta-feira, 16 de junho de 2016

10ª edição do Concurso Nacional de Leitura

A aluna Benedita Dias, após uma prestação brilhante na fase distrital, irá representar o distrito da Guarda, na fase nacional, a realizar no dia 13 de julho, em Santa Maria da Feira.

A Benedita Dias, aluna do Agrupamento de Escolas de Seia, do 10º ano do Curso de Línguas e Humanidades, representou a Escola Secundária de Seia, na fase distrital, realizada no dia 15 de abril, na Biblioteca Municipal de Fornos de Algodres, tendo ficado, após a realização da 1ª parte – prova escrita -, entre os cinco melhores leitores representantes das diferentes escolas do distrito. Na 2ª parte – prova oral – a Benedita destacou-se dos restantes participantes pela sua extraordinária leitura expressiva e interessante argumentação.